terça-feira, março 21, 2006

De certo modo sou um estranho

...preparo o passaporte, faço-o sempre como se de mim mesmo suspeitasse, não é o meu nome, nem o meu rosto antigo, nem a minha nacionalidade, de certo modo sou um estranho, mais que um estrangeiro um estranho, eu é um outro, um outro é eu, quem eu sou não tem papéis, quem os tem não sou eu, Ferrer, diz o passaporte, Jacques Ferrer, nem espanhol, nem frnacês, nem português. Não ter pátria é uma pátria.
Extraído de "Rafael", romance de Manuel Alegre

2 comentários:

LiZZie disse...

Bonito. Não ter pátria é uma pátria. É genial, aliás. Estás a despertar-me a contade de ler o Rafael do Manuel Alegre. Suponho que os blogs também sirvam para isso. Para entusiasmar. Obrigada.

casimiro disse...

Várias pessoas me têm dito isso. Já acabei e já devolvi o livro e achei...não vou revelar. Depois de leres partilhamos opiniões. Para não condicionar qualquer opinião.
Beijo.